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Feliz dia pra quem?

Todo dia internacional da mulher me faz voltar aos tempos de colégio. Uma das melhores professoras que tive não gostou de receber parabéns por este dia. Entendo a posição dela e compartilho do mesmo sentimento, afinal, esse dia foi criado em homenagem às mulheres que morreram carbonizadas em 1857 dentro de uma fábrica de Nova Iorque, porque fizeram greve reivindicando melhores condições de trabalho, como redução do horário da jornada e igualdade salarial entre homens e mulheres.

Embora outras manifestações ocorridas anteriormente a este período clamassem por tais direitos e exista controvérsia sobre a data correta, a morte de centenas de funcionárias na indústria têxtil nova-iorquina parece ser o indicador da data criada para celebrar o dia internacional da mulher.

Mesmo que a data trágica tenha mais de 100 anos, algumas pautas pelas quais as empregadas lutavam ainda são motivo de reivindicação atualmente.

Não à toa, um dos discursos mais aplaudidos e comentados do Oscar 2015 foi o da atriz Patricia Arquette, premiada com o Oscar de Atriz Coadjuvante pelo seu papel em Boyhood. Arquette pediu igualdade de direitos e equiparação salarial para todas as mulheres dos Estados Unidos, o que pode ser estendido ao mundo inteiro, uma vez que apenas na Dinamarca uma mulher tem o salário maior do que o homem em um universo de 142 países. 


Antes dela, a atriz Emma Watson fez um discurso emocionante e necessário na ONU em favor das mulheres na luta pelos seus direitos.


Especificamente sobre o ambiente de trabalho, certas situações não se restringem somente ao salário e ocorrem antes da contratação, durante a entrevista de emprego, deixando claro o preconceito e desrespeito do recrutador em relação à mulher. 

A coordenadora de área vibra mais ao saber que você é solteira, não tem marido e filhos, logo, vai se dedicar exclusivamente e o maior tempo possível ao escritório, deixando em segundo plano a sua experiência, educação e títulos. Ou o coordenador que não se contenta em saber que você é solteira, como indicado no currículo, mas insiste em saber mais além do estado civil e não satisfeito encerra com a frase “eu sei que a pergunta é indiscreta, mas a gente precisa saber antes de contratar, para você não aparecer grávida daqui a quatro meses e sobrecarregar nós dois, apontando para o OUTRO colega presente na entrevista”.

Os dois exemplos mostram, primeiro, o desrespeito em relação à mulher, como do sexo feminino, tão somente, como eu, você, sua prima, amiga, irmã, tia etc., que já passaram por isso ou poderão passar, infelizmente. Depois, com mulheres que já são casadas, as que são casadas com filhos e as que têm filhos, mas não são casadas.

Mas a situação das mulheres no mundo vai além do salário desigual ou das perguntas estúpidas em entrevistas de emprego que não devem ser admitidos de qualquer maneira. Violência doméstica, pré-julgamento pela roupa que veste ou pelo que fala, interferência do Estado em relação ao seu corpo, assédio nas ruas no transporte público, também são situações graves que mulheres enfrentam dia a dia.

Portanto, ainda que tenhamos alcançado o direito de voto e o direito de trabalhar fora, ainda falta muito para que sejamos tratadas com respeito e dignidade devidos a qualquer ser humano.

E deixe flores para qualquer outro dia do ano, pois não temos o que comemorar, mas lembrar da centena de mulheres que morreram buscando seus direitos e outras centenas, milhares que morrem em todo o mundo, a cada dia, a cada minuto.

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